Quinta-feira
Set172009

A Outra - I

Sou a outra - muito prazer, muita dor. A Inominável, dentre muitos títulos desconhecidos que não aceito. Vivo no espaço entre as letras finais do nome impronunciável. Oculta, pulso em tudo que se pensa ver, ouvir e tocar. Descanso no imaginário ainda não percebido. Habito fronteiras em mutação, fantasmas do futuro e possibilidades impensadas. Sou a terra incognita, insondável.

Tenho os pés nus ao colher palavras acesas. Veja minhas mãos em contradição exangue: lutam uma com a outra bebendo do próprio sangue. Unhas, farpas, pequenas facas, lâminas meio cegas, bisturis meio surdos, vitrais ínfimos de naves perdidas no asfalto, desolação de cortes inflingidos pela sorte "boa" ou "má", por ouvidos vítreos, pelo olho que viu demais e pelo olho que se fechou em transe.

Tenho os pés nus, mostre-me os seus se tiver coragem.

O guerreiro orgulha-se de suas cicatrizes. Os frágeis lamentam-nas até nos outros. Tenho a coragem e a melancolia de dez mil guerreiros vulneráveis. A força sabe chorar o outro.

Tenho os pés nus, veja meus ossos. Nervos. Medula.

Sinto a pele que se desprende em pipa no ar, no alto.

Alcança - e canta aos pássaros.

 

Terça-feira
Jun302009

Caixas Vivas - I / Live Boxes - I

A Caixa Vermelha

A Caixa Vermelha é o seu coração: ouça-o.

The Red Box

The Red Box is your heart: listen to him.

Terça-feira
Jun302009

Livros da Vida - I

O que você escreve no seu Livro da Vida? Que sons ele faz? Para viver e morrer, para a ruína e o renascimento, a memória e o perdão? O que você ouve quando olha pra dentro?

What do you write in your book of life? What sounds does it make? There are sounds to live and die, for ruin and rebirth, for memory and forgiveness? What do you hear when you look inside yourself?

Terça-feira
Jun302009

Cartas de Terras Insondáveis - Lembrança de Luminieva

Em Luminieva as ruas eram de verdes íngremes e pedras de cor, com longas casas penduradas e árvores que até o tempo esqueceu de quando eram semente. As ruas prestavam-se mais ao devaneio: a circulação dava-se de fato por estreitas pontes de lianas e sólidas passagens de cristal de rocha que esticavam-se entre esses compridos de madeira viva ou morta, habitados por gente, bichos e lilinanthes.

Os teatros eram de quartzo e via-se muito à distância. A música também era ouvida de longe e em cada ponto misturava-se harmonicamente a folhas, águas, ventos, passos, pássaros, pessoas, ronronares e lilinithos.

Lá só se falava por sussurros, palavras risonhas e melodias. Tagarelice, fofoca e gritos egocêntricos eventualmente eram ouvidos, com muita má-vontade, e sujeitos a multas em forma de longos silêncios, novas pontes e canções abstratas.

Quarta-feira
Abr152009

TRÍPTICOS VERBAIS - I