inhumanoids! foi criado por Leandra Lambert em 1992. A ideia era fazer música eletrônica (geralmente) dançante com espírito punk e senso de humor - negro. As influências principais eram pós-punk, industrial, techno, synthpop, electro old school, ficção científica distópica, David Lynch e tudo o que tivesse um 'q' de bizarro, escatológico, apocalíptico. Nada integrado. A formação original incluía também Luciana Oliveira nos vocais e Marcelo Dias 'Self' nas programações. Com essa formação tocaram em vários lugares da cena alternativa carioca e paulista (Circo Voador, Dr.Smith, Torre de Babel, Basement, Cais), ganharam algum destaque em zines e na grande  imprensa (Ilustrada-Folha de SP, Rio Fanzine-Jornal O Globo, Revista Bizz) e entraram com uma música na coletânea 'Minimal Synth Ethics 2', do extinto selo independente Cri Du Chat Disques.

 

Matéria na Folha Ilustrada sobre a coletânea em CD Mynimal Synth Ethics 2 e a música eletrônica em geral, 1993.

Algumas músicas do Inhumanoids!, de 1992 a 1994, com Leandra nos vocais:

Em 1994 Luciana saiu do grupo, que tornou-se um duo com eventuais participações, fundindo-se ao projeto Self. Neste ano gravaram várias demotapes e tocaram no BHRIF, na Praça da Estação, em Belo Horizonte, ao lado de Violeta de Outono, Fugazzi, Minister of Noise, Swamp Terrorists e outros. Foi uma apresentação ruidosa, caótica, etílica e polêmica, com as participações totalmente improvisadas de Fernando (o FS Torres do Plano B Lapa, Menthe de Chat, Pornopunk e Can do Garfo) no synth e Leo Monteiro na bateria. Uma confusa e enfumaçada gravação em vídeo de alguns momentos foi feita por Cláudio Monjope, que estava por lá com o Black Future.

Trecho de SELF & Inhumanoids! no BHRIF, Praça da Estacão, 1994:

O projeto passou por várias formações até 1999, tendo como únicas constantes - um tanto inconstantes - Leandra e Marcelo. Em 1996 participaram da coletânea independente 'Clash & Behaviour', e entre 95 e 97 tocaram em alguns outros lugares do underground do Rio e de SP: Retrô, Expo Alternative na Casa de Cultura Laura Alvim, Tá na Rua, Bang! e Armageddon, entre outros. De 1997 a 1999, nuances mais suaves, pops e psicodélicas se fizeram sentir em certas músicas. Em 1999 tocaram no Eletrone, festival na Praça da Moeda, Recife.

Em 2000 o inhumanoids! quase virou projeto solo de Leandra; mas foi reinventado com: Rodrigo Marçal (que depois se tornou produtor musical e compositor de trilhas sonoras no estúdio Arpx) Alexandre Gwaz (depois com o Dulce e agora com o projeto Jeanette) e, por coincidência, contou com a participação de dois Davids: Dave Viscardi e David Cole (que viria a tocar com: Totonho e Os Cabra, Lucas Santanna, Kátia B e Sensorial Sistema de Som). Foram agregadas outras influências e sonoridades, do funk carioca ao jungle, do samba ao então "new electro". Tocaram em uma grande rave e tiveram destaque em uma matéria no Jornal do Brasil.

 

Matéria no Jornal do Brasil sobre projetos eletrônicos brasileiros precursores no gênero, por Adilson Pereira, 2000.

Em 2004 houve um breve retorno de Self & Inhumanoids para algumas apresentações ao vivo - Mundo Mix na Fundição Progresso, Casa da Matriz, Nautillus - com algumas versões novas de músicas da fase inicial, de 92 a 94. A formação era: Leandra, Marcelo, Clara Mei Lin e Mariela Oliveira. Algumas músicas depois foram novamente recicladas para o repertório do Voz del Fuego, como "You-and-me", "Flimsy Freak Show" e  "Inhumanoids! (were killed)".

 

Matéria sobre novas bandas no Rio Fanzine, O Globo, 1993.

 

Foto: Marcelo Dias "Self".