Entries by Leandra Lambert (170)

Domingo
Nov252018

Show de lançamento do álbum "YONI", LORI, no Rio, 01/12/18

Com projeções da Rebecca Moure/Photom Duo

O Aparelho fica na Praça Tiradentes, 85

Abertura às 22:30, shows a partir das 0h, festa até às 5h.

R$20 (R$15 apresentando ingresso do L7)

Evento no Facebook


Terça-feira
Nov062018

Primeiro álbum de LORI, "YONI", lançado pelo Sê-Lo! Netlabel em 29/10/18 

O primeiro álbum do projeto LORI tem nove músicas gravadas em viagens ou no homestudio de Leandra perto de Visconde de Mauá (na serra do Rio de Janeiro, em meio à Mata Atlântica), entre 2016 e 2018. Trata-se de uma espécie de jornada iniciática ao interior da terra, um território sublunar e primal. A faixa The Rye and The Ray Undone, que se desenvolve em torno de um take único de voz com efeitos ao vivo, incluindo um coro com harmonias em que a voz se torna também masculina, está presente na compilação Hystereofônica 1, da Tropical Twista Records. Soninaetenu é uma das músicas mais emblemáticas, em que todas as camadas foram realizadas com a voz processada em tempo real, inventando uma língua, cantos e invocações, loops sobre loops, "on the fly", em uma única sessão/transe que evoca um sabá. Nobody (Phantom) é um improviso de voz, detector de fantasmas, bateria e pedais, gutural, obsessivo e ruidoso. O detector foi construído em um workshop com Tara Pattenden a.k.a Phantom Chips no Festival Novas Frequências 2017. Uma versão demo foi transmitida no Late Junction na rádio BBC 3 Londres, em um programa com Tara. Outras seis músicas, sendo cinco inéditas, compõem o álbum.

O álbum completo já está disponível nas plataformas:

Bandcamp - https://selonetlabel.bandcamp.com/album/yoni
Spotify - https://open.spotify.com/album/5bE4xPe6pt2jzLE4lyPcbZ
DEEZER - https://www.deezer.com/br/album/75975422

Garganta, primeiro single do álbum Yoni, da Lori, entrou na playlist Feminatronic#138

Cena da Música Independente

credits

released October 29, 2018 

All lyrics and music are property and copyright of Leandra Lambert. 

All voices, lyrics, field recording, synthesizers, jaguar bass, drum machine, looper, phantom detector, pedalboard/processing: Leandra Lambert 
Guitars and Bass VI in track 6: Daniel Guedes 
Pianos in track 8: Isabel Nogueira 
Phantom Detector designed by Tara Pattenden a.k.a Phantom Chips. 

Recording, production and mixing: Leandra Lambert, SubLunar Studio. 
Master: Leandra Lambert, except track 1, by Luisa Putterman, Hystereofônica 1 compilation, Tropical Twista Records. 
Cover art: Rebecca Ramos and Leandra Lambert 
Logo Lori: Rebecca Ramos 

 

Quinta-feira
Out182018

LORI na Void - Quartinho #37, 18-10-18 + Residência SOMSOCOSMOS

Em outubro e novembro vai ter show com live streaming no Quartinho da Void + álbum LORI + duas semanas na incrível residência artística Somsocosmos: https://www.residenciasaojoao.com



Quarta-feira
Set122018

Dezembro de 2016 a Julho de 2018 - Um resumo

Foi muito tempo sem atualizar aqui, então segue um resumão de um ano e meio de atividades: 

- Dezembro de 2016 começou com o show-improviso de quase 2h do Dissonantes, no Novas Frequências. Na ordem da imagem: Natacha Maurer, Paula Rebellato, Carla Boregas, eu, Renata Roman. Intensidade de luzes, sombras, vozes e ruídos de mulheres. Links para algumas ÓTIMAS críticas:

10 momentos matadores do Novas Frequências 2016, Revista Bravo, Guilherme Werneck 

Novas Frequências 2016: os 10 melhores shows, O Volume Morto 

The Quietus, Tara Joshi :

"For a gig that takes place in the back room of a local recording studio - Audio Rebel - it is remarkable how immediately impactful this set is (...) Their raison d’être is to increase female involvement in the experimental music scene, and this show is cosmic. Maybe it’s the hotbox atmosphere, maybe it’s the way the lighting bathes them like they’re twinkling holograms, or maybe it’s the disconcerting, whirring drone of music; whatever it is, it keeps people glued there for the hour or so of their sublime performance."

- Dezembro de 2016 terminou com o lançamento da coletânea "Hystereofônica 1", da Tropical Twista Records. Foi toda produzida por mulheres: artistas, capa, técnica, a curadoria da Cigarra, a master da Luiza Putterman. A faixa "The Rye and The Ray Undone" do meu projeto LORI abre o álbum; e depois entrou para alguns podcasts incríveis. Três matérias sobre a compilação:

O Tempo, Revista Eletronika, Claudia Assef 

Vice, Thump Premieres, Amanda Cavalcanti 

Hystereofônica e a criação de rede de mulheres na música eletrônica, Guia Maria Firmina 

 - Primeiro semestre de 2017 foi passado escrevendo e lendo por horas e mais horas bem pertinho da Mata Atlântica de altitude, terminando a minha tese de Doutorado em Artes pela UERJ/Paris 1, com orientação da muito querida Leila Danziger. A defesa aconteceu no fim de junho no Espaço Cosmos da também muito querida Juliana Franklin. Na banca, Sheila Cabo, Isabel Nogueira, Cesar Kiraly, L.C. da Costa. Isso quer dizer que sou DOUTORA, vejam só. Também quer dizer que precisei descansar a cabeça e o corpo de projetos e deadlines por um bom tempo, porque desde 2009 estava numa certa função... FIM DE CICLO! FOGOS! ABRAM OS VINHOS!

- A peça "Cortina de Ruínas", em parceria com Alex Mandarino, foi selecionada para a programação brasileira de rádio da Documenta 14 (2017), com curadoria local de Janete El Haouli e José Augusto Mannis, dentro do Every Time A Ear di Soun. Houve difusão online, em Kassel, Atenas e na Rádio MEC do Rio. No ano seguinte a música também entrou para a coletânea система/System 03 (Ucrânia/França) e foi transmitida em um programa de rádio com Knappy Kaiserknappy na Rinse FM France.

- Fiz um show no Aparelho, Rio, improvisando com Isabel Nogueira e Sanannda Acácia. Foi foda, foi barulhento e foi bruxaria. 

- Continuei a gravar meu projeto solo LORI. Me apresentei ao vivo pela primeira vez usando esse nome, e com as incríveis projeções da Rebecca Moure, no final de 2017, na Comuna Intergaláctica, evento de arte e ciência que ocorreu no Observatório do Valongo, Rio. Foi um caos intenso que terminou com vento, chuva e trovoadas lindas iluminando entre os galhos.Também participei de um workshop com a Tara Pattenden, a.k.a Phantom Chips, no Novas Frequências. Construí um Phantom Detector que foi usado em uma música como LORI. Uma versão demo foi transmitida no Late Junction na rádio BBC 3 Londres, em um programa com Tara. 

- No meio disso, achei um filhote de gato doente na estrada Mauá-Maromba e acabei adotando mais um. A lindeza foi batizada de Thoth, por sua aparência egípcia e seu caráter altamente ativo e comunicativo.

- Em fevereiro de 2018, pouco antes do Carnaval, mais um live no Aparelho, improvisando com outra mulher, AJA (a inglesa Aja Ireland), que em seguida lançou um álbum pela Opal Tapes. Foi a Tara quem apresentou. :-)

- Em Abril de 2018, mais uma apresentação como LORI, dessa vez na Festa da Lei, realizada no aniversário de Crowley, no Calen, Rio. Mais uma vez, com as projeções da Rebecca. A apresentação foi solo, com um repertório mais definido e algumas versões mais rítmicas/percussivas para o live.

- Dias depois, o meu artigo "Escutar Caminhos", com um bom trecho da minha tese, foi publicado em inglês e português no periódico internacional ARJ - Art Research Journal. Primeiro artigo já devidamente Doutorada, saiu como dossiê da edição Perspectivas Multidisciplinares na Arte. Um trabalho meu ilustra a capa. 

- Mais um show como Lori tendo a parceira Rebecca nos vídeos, dessa vez no Hiperorgânicos 8, eventão de Arte e Ciência da UFRJ, no Museu de Arte e Astronomia do Rio.

- A gravações e mixagens do projeto Lori continuaram, se encaminhando para a finalização de nove músicas, cerca da metade das que iniciei nesse projeto. Ficou acertado para Outubro o lançamento por um selo independente brasileiro muito bacana.

 

Quinta-feira
Nov032016

NOVAS FREQUÊNCIAS + Fora de Fase + Encontro de Criatividade Sonora

Participarei de três apresentações neste fim de ano: no Festival Novas Frequências, dentro do Dissonantes, no Audio Rebel, no Rio de Janeiro, dia 5/12; no Fora de Fase, série de concertos curtos no CCSP que integra a programação da Conferência Internacional de Sonologia 2016 - Out of Phase, dia 23/11; e ao final do Encontro Nacional de Criatividade Sonora, na Galeria La Photo, em Porto Alegre, dia 19/11 - ambos com Isabel Nogueira. No Sonologia, também arpesentaremos trabalho teórico.

Sobre os eventos:

O projeto Dissonantes terá um espaço no Novas Frequências (o maior festival internacional de música experimental-inovadora-etc do país).

DISSONANTES é uma série de apresentações de música experimental organizada por Renata Roman e Natacha Maurer. O projeto surge como resposta à pergunta “onde estão as mulheres na cena experimental?” Além das criadoras do projeto, se apresentam Carla Boregas e Paula Rebellato (Rakta) + Leandra Lambert. Dia 5/12 no Audio Rebel.

Programação completa: http://www.novasfrequencias.com/2016/

FORA DE FASE:
MÚSICA EXPERIMENTAL E CRIAÇÃO SONORA

When:
Wednesday, Nov 23rd 2016, 8:30 p.m.

Where:
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro 1000 Paraíso,
São Paulo 01504-000

What:
Fora de Fase is a showcase for brazilian artists involved in the production of experimental music and sonic mischieving. Each one of them, in their own way, navigates through diverse approaches such as free improvisation, algorithmic composition or radio-art. The concert highlights this diversity, while presenting the work of recognised artists and their critical and creative approach with sound. A body of work that explores music making and its relationship with performance, ideology, soundscapes, memories and performance.

Program:

I – André Damião
Narva 2

II  – Janete El Haouli & José Augusto Mannis
Memórias de Zahrah

III  – Leandra Lambert & Isabel Nogueira
Strana Lektiri

IV – Alexandre Fenerich
Coleção Peripatética de sons

V – Orquestra Errante, Kairospania e Luzilei Aliel
Suíte [en]quadrada

Programação completa do evento:

http://www2.eca.usp.br/sonologia/

 

Encontro de Criatividade Sonora - dia 4 - encerramento na LaPhoto Galeria  
Travessa da Paz, 44

Peça para aparelhos, contrabaixo e teclado: Chico Machado
Preset Managers: Carlos Ferreira, Luciano Zanatta, Ricardo De Carli
Banda Aberta: Ariane Stolfi, Fábio Goródscy, Antonio Deusany de Carvalho Júnior
Strana Lektiri Voicing Cut-Up Tragedy: Leandra Lambert e Isabel Nogueira
naøs: Henrique Chiurciu, Sergio Abdalla Saad Filho 
Arcofluxo: bella, Sanannda Acácia, Isabel Nogueira
dehors

Quarta-feira
Nov022016

Antes da Terra Incógnita, Feminoise e Dissonance from Hell

Um álbum de trabalhos meus com Alex Mandarino, Antes da Terra Incógnita, está disponível no SpotifyiTunes, Apple Music, Tidal, Deezer, Amazon, Groove, Google Play, Bandcamp e Soundcloud, entre dezenas de outras lojas.

Além disso, duas coletâneas de música experimental latino-americana estão disponíveis no Bandcamp para quem quiser ouvir! (incluindo trabalhos em que participo, é só procurar que acha...)

FEMINOISE, com 60 artistas solo/duplas de mulheres ou grupos em que predominam mulheres.

DISSONANCE FROM HELL: AMÉRICA LATINA, ENTRE RUÍDOS Y RUÍNAS

 

 

Quarta-feira
Nov022016

SONORA - Ciclo Internacional de Compositoras

Presente no Sonora PoA: na coversa de abertura, em apresentação Strana Lektiri com Isabel Nogueira na Galeria La Photo e em show do Terra Incógnita + Medula no Ocidente. 


O Sonora - Ciclo Internacional de Compositoras é um festival internacional que busca evidenciar a produção de compositoras mulheres. Em 2016 é realizado em 6 países e em mais de 20 cidades.

A edição de Porto Alegre acontece entre 24 e 28 de agosto (de quarta a domingo), em 4 locais diferentes com a participação de mais de 20 compositoras. Os eventos têm entrada franca com contribuição espontânea, com exceção de domingo, com ingresso de 10 reais. A programação é:

24/08 (quarta), 18h, no BAR OCIDENTE (Av. Osvaldo Aranha, 960):
- Roda de conversa "mulheres multi: ações e contextos", com Simone Rasslan, Adriana Deffenti, Julia Barth, Mariana Bandarra, Isabel Nogueira, Leandra Lambert e Isadora Nocchi Martins
- Shows de: Carmen Correa e Adriana Deffenti
- ENTRADA FRANCA (+ contribuição espontânea!)

25/08 (quinta), 19h, na GALERIA LA PHOTO (Travessa da Paz, 44):
- Música experimental com: Isabel Nogueira, Isadora Nocchi Martins, Cuca Medina, Strana Lektiri (Isabel Nogueira e Leandra Lambert)
- ENTRADA FRANCA (+ contribuição espontânea!)

26/08 (sexta), 19h, no ATC -INSTITUTO DE ARTES DA UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248)
- Música para e com piano com: Sandra Mohr, Mariane Kerber e Ariane Wink, Dunia Elias, Bethy Krieger, Catarina Domenici
- ENTRADA FRANCA (+ contribuição espontânea!)

27/08 (sábado), 19h, na CASA CULTURAL TONY PETZHOLD (Av. Cristóvão Colombo, 400):
- Canções ou música de câmara com: Maitê Saldívia, Karine da Cunha e Três Marias (Andressa Ferreira e Gutcha Ramil)
- ENTRADA FRANCA (+ contribuição espontânea!)

28/08 (domingo), 16h-21h, no BAR OCIDENTE (Av. Osvaldo Aranha, 960):
- Shows de: Bibiana Morena, Skia, 3 Like Us , Terra Incógnita + Coletivo Medula
- ENTRADA: 10 REAIS

Terça-feira
Jun282016

Dissonantes #5 no Ibrasotope música experimental

---> SOBRE O PROJETO <----

DISSONANTES é uma série de apresentações de música experimental organizada por Renata Roman e Natacha Maurer. O projeto surge como resposta à pergunta “onde estão as mulheres na cena experimental?” 

SERVIÇO
Dissonantes#5 - Sanannda Acácia + Isabel Nogueira e Leandra Lambert
Sexta-Feira, 01 de julho
Ibrasotope - Rua Januário Miraglia, 43
Vila Nova Conceição-SP
*Abertura da casa: 20h
*Apresentções começam às 21h.
Entrada sugerida: R$10 ou pague quanto puder / quiser! :)

Segunda-feira
Mai302016

PASSAGENS ATLÂNTICAS - VÍDEO NO CANAL ARTE

Sábado
Abr162016

Passagens Atlânticas - individual na Galeria de Arte IBEU, em Copacabana

PASSAGENS ATLÂNTICAS
Exposição individual de Leandra Lambert
Curadoria: Cesar Kiraly
Galeria IBEU
Abertura: 18/04, segunda-feira, 19h

Entre 19 de abril e 20 de maio, a Galeria IBEU apresentará a exposição "Passagens Atlânticas", de Leandra Lambert, com curadoria de Cesar Kiraly. Em sua segunda individual, a artista apresenta fotografias, uma composição sonora e objetos como as "Luvas de Areia", "Um fardo de palavras" e a "Gargantilha de pedras portuguesas, asfalto, monóxido de carbono e engasgos", relacionados à experiência poética e política de suas três Atlânticas.

"Em Passagens Atlânticas Leandra Lambert dialoga com os vários sentidos do Atlântico. Aparece na forma da Avenida Atlântica e suas pedras portuguesas, o Oceano Atlântico e seu mar revolto e a Mata Atlântica e seu fundo repleto de minério tendente ao ouro. O sentido da vida urbana surge na forma de objetos que transpiram a dureza do cotidiano. Por outro lado, o Oceano e a Mata são mostrados em série de líricas fotografias submersas que inspiram a sensação de lâminas vítreas”, escreveu Cesar Kiraly, curador da Galeria IBEU.

A exposição também relaciona diversas concepções do termo "passagem": a passagem dos corpos pelos ambientes, o transitório, a passagem do tempo; a noção de passagem literária, passagens entre ficção e história; a passagem de um estado a outro, de uma matéria a outra, a transformação; lugar de transição e devir, espaço do que antecede o desconhecido.

 

PASSAGENS ATLÂNTICAS - texto do curador Cesar Kiraly

 

incapaz de não se expressar em pedra

as palavras de pedra ulceram a boca

e no idioma pedra se fala doloroso

João Cabral de Melo Neto in: _ A Educação pela Pedra

 

1. Esta exposição foi pensada para ser vista imersa em textura sonora. Entre cortes de composição musical e mais os rumores confusos da vida comum. A questão é a da continuidade nem sempre harmônica entre o som e a imagem. Daí Lambert montar usando ruídos como pequenos átomos a grudarem nas imagens e nos objetos como o faz a luminescência. Por isso deve o contemplador se colocar em tal passividade, atendente aos grânulos de som a pousarem sobre o arco de fotografias e objetos que se desenha diante dos olhos.

2. Do lado direito, temos par de luvas brancas, cujo peso é fornecido por quantidade de areia que lhes enche os dedos e palmas. Elas são suspensas por ameaçadores anzóis de quatro ganchos. Essas pesadas mãos seriam aquelas do último toque antes da despedida. O contato revestido torna áspero desempenhar o movimento fino. Por isso, tais dedos insistem para virar as páginas em que se acompanha a leitura de uma estranha sorte de objetos. Isso nos leva ao lado esquerdo, nele temos a amostra do desconhecimento da própria força. Da mesma forma que os sons são átomos montados / o que os torna chaves à decifração dos modos da vida comum / as pedras portuguesas funcionam como partículas da cidade. Ainda que nem sempre perceptível, uma cidade se monta de incontáveis cubos. Um cubo perfeito é uma tolice, seria como se pudesse existir o átomo de cidade na fôrma mesma da nossa ingenuidade. Nessa medida Lambert nos permite adivinhar o seu nomadismo. Além do que, envolve-nos com seu lirismo de quinas duras. Ela deambula pelas ruas e seus olhos são voltados para o chão. Ora, se uma cidade é o equilíbrio improvável de átomos pictóricos repletos de arestas, nada mais justo que eles cedam de suas posições originais e nos ofereçam a ontologia, a despeito mesmo da pretensão de alguns em os esconder. Lambert percorre o mosaico da vida urbana sabendo que vai encontrar tais falhas espirituosas. Ela as identifica / resgata-as / com todo carinho do mundo, cuida desses duros fragmentos de cidade como a um animal ferido. 

3. Donde se pode voltar aos desníveis de intensidade, pois ao mesmo tempo em que trata a cidade naquilo que dela se desprende, escrevendo em sua superfície, compondo-a em pesados adornos, revela uma rigorosa pedagogia. A pedra, antes educada como elementar, depois recolhida pela lírica cautela, para ser tratada do mal que a fez deslocada do todo, recebe uma outra educação. À pedra uma verdadeira educação pela pedra. Existe um amor do querer-agarrar e outro do juízo suspenso. Mas Lambert ama essas pedras com disposição intermediária. Elas são envoltas em carinho, porém adquirem consciência de serem potenciais quebradoras de vidraças. Elas se reconhecem passivo-agressivas. Aquela sonoridade que a tudo envolvia como luminescência, então, eram também grânulos de asfalto dispersos no ar a reagir com a fumaça dos carros.

4. Após viver em Paris os acontecimentos de 1848, Alexis de Tocqueville toma o cuidado de registrar suas memórias do evento. Elas são atravessadas por sentimentos conflitivos: o de pertencer ao parlamento de uma monarquia em colapso, a preocupação de preservar sua esposa e seu sobrinho e o assombro curioso com o tipo de metamorfose que estava a assistir. A cidade não apenas sofria os acontecimentos, mas, como um ente anímico, ela parecia pensar com eles. Mais, ainda que os oprimidos não dispusessem de uma filosofia que os orientasse a agir, aquele amálgama de corpos e prédios se apresentava como um pensamento. Tocqueville registrava o nascimento do pensamento social: o de uma existência meio cidade, meio gente. Um dos indícios que o permitia indicar tais fenômenos era justamente o comportamento das pedras. Como assim? Ele diz que de 1789 à 1848 os habitantes de Paris desenvolveram sabedoria prática para construção de barricadas à interrupção do fluxo das ruas. Elas eram montadas com pedras equilibradas. Assim, nos momentos de inflexão social, nos quais, como diz Burke, a partir da Revolução, os exércitos não mais hesitam de marchar sobre a população; a despeito da posição ideológica, a cidade precisa interromper suas ruas para preservar as pessoas. Uma barricada mal pensada é sinônimo de massacre. Seria equívoco ser dogmático e começar pela certeza de que as ruas de Paris falam e sabem o que fazem, porém, se elas insistem em nos dizer o que precisamos saber, e percebemos a sua cumplicidade, por que não escutá-las? O animismo bem compreendido parece ser bem mais consistente que o pampsiquismo.

5. Parece-nos que a perspectiva não subsiste na cosmologia. Se estão juntas, então uma delas é de mentirinha. No duro, se muito, o Atlântico abriga cosmologias jesuíticas de resultados, com ou sem fumaça, no mais, resta um largo e interessante perspectivismo Atlântico. As pedras portuguesas são um belo exemplo disso. Em Lisboa, os calceteiros, instaladores de tais átomos construtivos, preferem, num intrincado sistema de regras, não só perfeitamente colocar as pedras uma ao lado da outra, segundo o motivo escolhido, como não permitir que nenhuma supere a outra em altura. O resultado é um lindo e horizontal espelho de pedras. Nele escorregões são frequentes e mesmo inevitáveis dependendo do solado escolhido para o dia de chuva. Sob rebuliço social, remover uma delas é quase impossível. A conversa com essa pedra é animicamente frustrante, principalmente nos momentos de resistência. Em Copacabana, os colocadores de calçada copiam os temas lusos, mas a superfície é plena de irregularidades, donde os sapatos encontram acidentes a interromperem as quedas, e, na resistência, ampla sorte de quinas a dialogar com a imaginação necessária à conservação. 

6. Entre as pedras e as mãos (iluminadas ou oxidadas) encontramos líricos momentos vítreos. As passagens atlânticas não são apenas feitas de quinas, mas também de profundidades. Atlas sustenta nas costas um imenso cubo repleto de água salgada e tantos capilares de água doce. Além de nos equilibrar, nós que somos animais úmidos capazes de ter a impressão de afogamento com tênues variações de temperatura, ou se nossas respirações tocam a superfície das vidraças. Simultaneamente habitamos as superfícies das cidades e imergimos na imagem de modo a provocar o surgimento de lâminas que nos dividem. A fotografia dentro d’água funciona nesse registro. Ela desafia a percepção comum das superfícies para encontrar novas folhas a partir do meio. As possibilidades são inúmeras, posto a luz ser instável na água que revira. O resultado é o registro do entremeio. Afora ficar no convívio entre o abstrato e o figurativo. Sabemos onde estamos e somos incapazes de determinar o que vemos. Se apurarmos, temos os tons de minério tendentes ao ouro na imersão em água doce e a agitação como se a imagem fervesse em bolhas de mercúrio, na água salgada. O afundamento implica num outro tempo, compasso de espera, interrupção das capacidades irônicas, para a operação dos modos contemplativos.

7. Se a fixação das lâminas vítreas é um desafio, o segundo é saber como dispô-las em relação. Tais não contam com um modelo. Na Avenida Atlântica a questão é bloquear o motivo e individuar os espécimes soltos, no Oceano Atlântico, e na Mata Atlântica, o objetivo é montar uma relação emotiva entre as lâminas. Sim, elas, uma à uma, podem ser situadas, mas em dinâmica de composição, de analogia erótica, como indica Warburg no seu Atlas, querem emitir, a quem as vê, a sensação de improvável acerto. Trata-se da escolha certa no posicionamento lado a lado de aleatórias imagens nascidas, desde sempre, umas para as outras.

 

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Cesar Kiraly

Curador da Galeria IBEU e Professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da UFF