DANÇAS ATLÂNTICAS

Exposição individual de Leandra Lambert. A mostra é composta de instalação intersensorial contendo polípticos com fotografias, desenhos, textos, objetos e composição sonora da artista. A construção dos trabalhos se dá na observação sensível dos ambientes.Danças Atlânticas” articulam experiências de arte-vida nos espaços da Mata Atlântica, da Avenida Atlântica e do Oceano Atlântico, buscando novas possibilidades poéticas, o estranhamento e o reencantamento no próximo e cotidiano.

Solo exhibition of Leandra Lambert’s work. Intersensorial polyptychs containing photographs, drawings, texts, objects, substances, sounds. In Atlantic Dances, experiences of art-life are articulated in the spaces of the Atlantic Forest, the Atlantic Avenue and the Atlantic Ocean. The construction of these works takes place in the sensitive observation of environments, in search of estrangement and reenchantment in the nearby and in everyday situations.

Abertura/Open night: 19/02/2013 - 19h - 21:30h.

20/02 - 24/03, 12h - 19h.

CCJF - Galerias do primeiro andar / 1st floor galleries

Avenida Rio Branco, 241 - Centro (Cinelândia) - Rio de Janeiro
Tel/Phone: (21) 3261-2550

 

Entrevista no Supergiba Arte Contemporânea

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Atlântica: um conceito operacional

No início era o som, e sua capacidade em ativar espaços e conectar o longínquo. O que veio em seguida, bem... o que veio em seguida é incompatível com a linearidade da escrita, pois a partir da escuta de (infra)sons, Leandra Lambert vêm desenvolvendo intrincadas conexões, criando correspondências entre nossos cinco sentidos, ativados por generosos condensados de sons, palavras e imagens. Seu projeto poético consiste em dar forma a algo que pulsa entre a avenida, o oceano e a mata, as três Atlânticas que reúne.

Uma autêntica volúpia em acumular, superpor e relacionar ao infinito orienta as ações que dão origem a essas Danças Atlânticas. O que há em comum entre os ”eflúvios de asfalto quente em janeiro” e o “perfume de meninas da noite passando”? Entre uma “tampa para um esquecimento” e “o último suspiro de um peixe”? Essas frases-poema são associadas a diferentes objetos e recipientes que procuram classificar a diversidade de nossas experiências sensoriais e estéticas. E creio mesmo que o substantivo próprio transforma-se aqui em um conceito operacional, pois para Leandra Lambert, “Atlântica” é sinônimo de sensorialidade intensa, carregada de intrínsecas dinâmicas discursivas e uma imensa capacidade fabuladora. Em suas caminhadas – e essa é uma prática essencial em seu trabalho – a artista fabula taxonomias, plenamente consciente de que as ficções são indissociáveis da tentativa de conferir algum sentido a nossas experiências de mundo.

Em A rua por dentro, somos aproximados das pedras do calçamento da Avenida Atlântica, e vemos a cidade a partir de pontos de vista que desconstroem nosso orgulho de bípedes. Não sei se algum morador de rua lerá esse texto, mas talvez ele, melhor do que ninguém, compreendesse a experiência que ali se oferece. Ver a cidade a partir do chão, observar os pés e não os rostos, aprender a ler signos ínfimos, deslocamentos de areia, resíduos diversos, textos encriptados, tudo o que cai, a passagem dos insetos e dos animais. Assim, entre várias outras experiências, Danças Atlânticas nos propõem uma alteração de perspectiva, mas também ergue nosso olhar para a noite que desce em camadas de signos sobre a mata, ou nos leva a compreender que banhar-se no mar possui, ainda e sempre, a potência de ativar continentes, quer sejam tangíveis ou submersos.

Leila Danziger. 

Atlântica: An Operational Concept

 In the beginning was the sound, and its ability to activate spaces and to connect spaces. What came next, well... what came next is incompatible with the linearity of writing. From the listening of (infra)sounds, Leandra Lambert has developed intricate connections, creating correspondences between our five senses, with generous condensed mixes of sounds, words and images. Her poetic project consists in shaping something that pulses between the avenue, the ocean and the forest, the three Atlantics reunited by it.

An authentic voluptuousness in accumulating, overlapping and relating to infinite degrees guides the actions that give rise to these Atlantic Dances. What's in common between the "effluvia of hot asphalt in January" and the "perfume of girls of the night passing by"? Between a "cover for an oblivion" and "the last gasp of a fish"? These poem-phrases are associated with different objects and containers that seek to classify the diversity of our sensory and aesthetic experiences. And I think that here the noun becomes an operational concept, because for Leandra Lambert, "Atlantic" is synonymous with an intense sensoriality, full of an intrinsic discursive dynamics and an immense capacity to create fabulations. On her walks – and this is an essential practice in her work –  the artist fabulates taxonomies, fully aware that fictions are inseparable from the attempt to give some meaning to our experiences of the world.

In A rua por dentro (The Street from Inside), we approximate the paving stones of Atlantic Avenue, and see the city from points of view that deconstruct our pride of bipeds. I do not know if any homeless person will read this text, but perhaps they, better than anyone, could understand the experience that is offered there. To see the city from the ground, watching the feet and not the faces, learning to read tiny signs, displacements of sand, sediments and debris, encrypted texts, everything that falls, the passage of insects and animals. Thus, among several other experiments, Atlantic Dances propose a change of perspective, but also raises our gaze to the night that falls in layers of signs over the forest, or leads us to understand that bathing in the sea still possesses, and always will, the power to activate continents, whether tangible or submerged.

Leila  Danziger. (Translated from portuguese by Alexandre Mandarino)


Trabalhos que compõem a exposição:

- Noturnos oceânicos. 2012-2013. Vídeo feito com 90 fotos digitais e composição sonora, 15min.

- A manhã quando chega nunca é mesma - I - Oceano. 2013. Políptico com 90 desenhos e fotografias em filme, água do mar, sal, texto. 

- O dia quando acaba nunca é o mesmo - I - Avenida. 2012-2013. Políptico com 40 desenhos e fotografias em filme, resíduos, betume, gaze, texto. 

- A rua por dentro I. 2011. Tríptico: fotografia em filme p&b, desenho, pedra portuguesa escrita.

- A rua por dentro II. 2013. Tríptico: fotografia em filme p&b, desenho, pedra portuguesa escrita.

- A rua por dentro III. 2013. Tríptico: fotografia em filme p&b, desenho, pedra portuguesa escrita.

- A rua por dentro IV. 2013. Tríptico: fotografia em filme p&b, desenho, pedra portuguesa escrita.

- A noite quando cai nunca é mesma - I - Mata. 2011-2012. Políptico com 25 desenhos e diferentes impressões feitos a partir de uma foto, fogo, fibra de coco, texto.

- Extremos pelo olho do bicho. 2013. Díptico, fotografias em filme p&b.

- Fábulas atlânticas. 2012. Textos desenhados.

- O som está na mente. 2012. Objeto, texto.

- Da cidade e do tempo I - Natureza morta irônica-onírica. 2011. Objetos e texto.