CUT-UP TRAGEDY

Cut-up Tragedy é música, arte, escrita, interferência, acaso, rua e ruído.  É um multi processo-projeto nômade que experimenta, transforma e gera matérias sonoras, imagens, palavras, amálgamas de fragmentos. Também é um trabalho musical solo de Leandra Lambert - e virou livro, Cut-up Tragedy I.

É spoken & written word, noise e silêncio, o texto encontrado em uma cidade deslocado para outra. A voz como corpo que se distende no espaço, o texto como extensão de mãos que tatuam as cidades.

Também não é nada disso. E pode ser algo mais.

 

A primeira performance sonora Cut-up Tragedy foi Déambulations Soniques - Lost in android translation, na exposição Déambulations Poétiques, no CP5 Curry VavartLe Shakirail, Paris. Como intervenção visual e poética não-musical no espaço, a série de trabalhos What I heat esteve na exposição Braises d'aujourd'hui, que reuniu por cerca de um mês artistas brasileiros e europeus em trabalhos que dialogavam entre si, em julho de 2015 no Confluences, em Paris, França. A segunda performance sonora foi Cut-down mask, realizada meses depois no evento Fábrica Aberta, que acontece anualmente na Bhering, paralelamente à ArtRio. Fotografias e textos de NYC, Barcelona e Paris estiveram como Open cut no mesmo evento. A fotografia Mas Paz integrou a coletiva do Projecto Multiplo 2015, em Havana, Cuba.

A composição-performance musical é realizada tendo como base gravações de campo feitas nessas caminhadas e derivas. Tais gravações são editadas, processadas e reprocessadas até o ponto de gerarem drones e um "wall of noise". A voz é improvisada e processada ao vivo, lendo ou cantando em diversas línguas e em glossolalias laicas - muitas vezes usando traduções automáticas que geram erros insólitos então incorporados ao texto original. Dou voz à mistura de fragmentos textuais encontrados pelas ruas, compondo meu próprio texto com alguns roubos, autorias múltiplas e irrastreáveis. As vozes se juntam a gravações de campo de diferentes cidades. Essas gravações são alteradas e outras camadas se somam ao vivo: improvisos de voz passando por loopers e efeitos que podem multiplicar uma voz feminina em muitas - ou torná-la masculina, ou ainda indefinível. O texto é composto, em parte, usando a técnica do cut-up: montado com palavras encontradas em muros, jornais, calçadas. Os textos também são compostos muitas vezes como fabulações poéticas em torno de uma breve cena vista/ouvida/gravada/fotografada em uma cidade, tendo também como referência os flâneurs e caminhantes de outras épocas, assim como os viajantes e imaginadores de cidades. Todo o equipamento é portátil, cabendo em uma mochila, em sintonia com o conceito nômade do projeto-processo.

A primeira composição musical realizada utilizando esse método-processo foi Occe Anna Tlant X Cities, na qual empreguei elementos sonoros, textuais e narrativas poéticas a partir de cenas e imagens vistas nas ruas de Manhattan, do Brooklyn e de Copacabana, estabelecendo também uma relação poética com o Oceano Atlântico.