Breve currículo:

Leandra Lambert realiza experiências sonoras, visuais, textuais e performáticas. Multiartista em atividade desde 2009, atuante na música eletrônica/experimental desde o início dos anos 90. Doutora em Artes UERJ / Paris 1 Panthéon-Sorbonne, com bolsa Capes PDSE. Mestrado em Artes pela UERJ e bacharelado em Comunicação/Cinema pela UFF. Participou de exposições, concertos, transmissões e eventos no Brasil, Inglaterra, EUA, França, Alemanha, Grécia, Chile, Cuba, Noruega e Rússia. Individuais: Passagens Atlânticas, Galeria Ibeu, 2016; Danças Atlânticas, CCJF, 2013. Pratica caminhadas na cidade e fora da área urbana, pesquisa trânsitos livres e forçados, impedimentos, ausências e desaparecimentos. Relaciona experiência, memória e ambiente, a história, a imaginação e os mitos de cada lugar, com uma abordagem poética e política.

Como escritora, além dos textos acadêmicos, retomou a escrita de contos e iniciou seu primeiro livro em 2018. Teve publicado o conto premiado A Décima Oitava Vertigem e outros três aguardam publicação no início de 2019. Sua monografia O Verbo, o Ganido e o Delírio, de 2001, sobre a obra da autora Hilda Hilst, foi elogiada pela própria, o que abriu as portas da Casa do Sol para as filmagens de seu documentário A Obscena Senhora Silêncio, que estreou no Festival Internacional Curta Cinema em 2010. Traduziu para a revista Hyperpulp.

Como compositora, cantora, improvisadora e performer faz uso da voz, da eletrônica, técnicas de cut-up, métodos experimentais, livre improviso, tecnologias diversas misturadas, gravações de campo alteradas e pequenos objetos do dia-a-dia. Leandra Lambert veio de projetos que misturavam o punk e o pós-punk ao eletrônico desde o início dos anos 90, aprofundando-se na experimentação sonora a partir da segunda metade dos anos 00. A peça Cortina de Ruínas, em parceria com Alex Mandarino, foi lançada em álbum da dupla, constou na programação brasileira de rádio da Documenta de Kassel 2017 e de programa na Rinse FM France em 2018, além de ter recebido o primeiro lugar no III Concurso Latino-Americano de Composição Eletro-Acústica Gustavo Becerra-Schmidt 2012. Leandra apresentou-se ao vivo no Festival Novas Frequências 2016, FILE Hipersônica, Festival de Cultura Digital, e em diversos locais, como Circo Voador, CCSP, Ibrasotope, Espaço das Américas, Fundição Progresso, D-Edge, Cine Odeon, Odisséia, Plano B e Aparelho. Participou de mais de uma dúzia de vinis, tapes, VAs e CDs, incluindo as coletâneas система/System 03 (Ucrânia/França, 2018), Hystereofônica 1 (Tropical Twista Records, 2016), Feminoise Latinoamerica (Sister Triangla, 2016) e Minimal Synth Ethics 2 (Cri du Chat, 1993), além de ter gravado o álbum duplo do projeto Skygirls, de Rogério Skylab (2009). Projetos musicais dos quais faz parte atualmente: LORI, solo, com álbum a ser lançado em breve; Terra Incognita, junto a Alex Mandarino; Strana Lektiri, com Isabel Nogueira; e Cut-up Tragedy, solo. O projeto Voz del Fuego, atuante de 2003 a 2010, hiberna. Fez parte também do Dziga Vertov, Luna Chip, Mulher Espacial, Lingerie Underground (00s), Self & Inhumanoids! (90s).

Mostras individuais: Passagens Atlânticas, na Galeria Ibeu, 2016; e Danças Atlânticas, no CCJF, 2013, Rio de Janeiro.

Primeiro lugar no III Concurso Latino-Americano de Composição Eletro-Acústica Gustavo Becerra-Schmidt (2012- categoria eletrônica-experimental).

Artigos selecionados: "Escutar Caminhos", publicado em inglês e português no ARJ - Art Research Journal em 2017/2018; "Atlantic Sound Cartographies", publicado na revista acadêmica francesa de música Filigrane (2015, n.18); "Experienced Sonic Fictionspublicado em 2014 no periódico irlandês Interference: A Journal of Audio Culture, "Ouvir na pele o terceiro som" publicado na edição n. 5 da revista brasileira Valise, e "On Sound and Site: Some Projects" apresentado e publicado no Simpósio Bienal de Arte e Tecnologia do Connecticut College (New London, EU). 

Exposições coletivas e eventos com apresentação de trabalho artístico (seleção):

- Hiperorgânicos 8 (Museu de Arte e Astronomia, 2018)

-Projecto Múltiplo (Taller René Portocarrero, curadoria de Paula Borghi, Havana, Cuba, 2015)

-Braises d'Aujourd'hui (Confluences, curadoria de Nina Sales, Paris, FR, 2015)

-Panor'almas (Galerie Vitrine am, curadoria de Nina Sales, Paris, FR, 2015),

-Déambulations Poétiques (CP5 Curry-Vavart at Le Shakirail, Paris, France, 2015)

-Ocupação Arte Sonora (Castelinho do Flamengo, curadoria de Franz Manata e SAulo Laudares, Rio, 2015)

-Convergence 2014 (Hemispheric Institute, NYU, Columbia University and NYC streets, 2014)

-On Location (Evans Hall, Ammerman Center, New London, USA, 2014)

-Conecta @ The Wrong New Digital Art Bienalle (curators: David Quilles Guilló + Gabriela Maciel, 2013)  

-Double-Mouth / Dupla-Boca, curadoria de Ricardo Basbaum e Brandon LaBelle - Verftet, Bergen, Noruega; e Candido Portinari, Rio de Janeiro, Brasil, 2013)

-CAN!/Maybe! - III Public Art Festival of Krasnodar, Russia, 2013

-Festival Ai-Maako 2013 (Teatro Sala Negra, Valparaiso, Chile, 2013)

-I Festival de Cultura Digital (Teatro SESI Centro, Rio de Janeiro, 2013)

-Arte + (curator Gabriela Maciel, SESC Teresópolis, 2013)

-Supernovas 013 (TAL, Rio, 2013)

-Fábrica Aberta (Bhering, Art Rio 2012 and 2013)

-Paisagem e Extremos (curadoria de Leila Danziger, Luiz Cláudio da Costa e Malu Fatorelli, Galeria Candido Portinari, 2012)

-Cidade e Desaparecimento (curadoria de Leila Danziger, Luiz Cláudio da Costa e Malu Fatorelli, CCJF, 2011); 

-Cotidiano e Mobilidade (Parque Lage, 2011)

-BR.Ada: Celebrating Ada (blanktape virtual gallery, 2010)

-Curta-Cinema - Festival Internacional de Curtas-Metragens do Rio de Janeiro (2010)

-Arte Sonora (Parque Lage, 2009)

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Currículo Lattes

Entrevista 

 

Bio - ou uma das possíveis versões rápidas da minha história.

Nasci nos anos 70 em uma família com gente de longos cabelos, calças boca de sino e vinis de Jimi Hendrix, Rolling Stones, Funkadelic, Tim Maia e disco music. Ainda em fraldas, já gostava de cantar, "tocar" e inventar histórias. Cresci nos anos 80, subindo em mangueiras e jogando videogame, ouvindo cafonices e pós-punk, escrevendo poeminhas que agradavam às professoras e versões impublicáveis dos insuportáveis hinos que éramos obrigados a cantar no colégio de freiras. Em 88 me aventurei no Crepúsculo de Cubatão, com muita  maquiagem para disfarçar a pouca idade. Nos anos 90, as primeiras bandas/projetos, faculdade de cinema e uma infinidade de noites malditas abençoadas por Baco. Nos 00s, música de todos os tipos e procedências, a retomada da produção de imagens, os rituais com As 4 Marias e o início de outros caminhos independentes com o Voz del Fuego - além de mais uma enxurrada de derivas noturnas e diurnas. Em 2010, o início do mestrado em Arte na UERJ e vários projetos, processos e renovações. Em 2013, o início do Doutorado em Artes na mesma instituição.

Escrevo letras, canto e produzo música através de processos peculiares desde o início dos anos 90, tendo criado o inhumanoids!, um dos pioneiros por aqui na mistura do punk com o eletrônico e um certo feminismo raivoso, entre outras coisas mais. No início dos 00s criei o Voz del Fuego e participei do extinto Efeito Coletivo, que agregou músicos e produtores em torno de lives e programas de rádio (AM/online). No final da década passada ingressei em vários projetos paralelos, como o Dziga Vertov, de livre improvisação com elementos eletrônicos, elétricos e acústicos; Mulher Espacial, psicodelia punk feminina; Luna Chip, baseado em circuit bending e ruído; e o Skygirls, do inclassificável Rogério Skylab. Sempre explorei as fronteiras entre pop e experimental, programação e improviso, eletrônico e corporal, etc. Em 2013 nenhum desses projetos estava mais ativo e um novo teve início: Terra Incognita, partindo de experimentações iniciadas anteriormente com Alexandre Mandarino. O primeiro show foi no Festival de Cultura Digital do SESI

Ainda nos anos 90 comecei a cursar pintura na Escola de Belas Artes da UFRJ, mas não pude prosseguir. Optei por me formar em Cinema/Comunicação pela UFF. Participei da equipe de arte e tenho uma música na trilha  sonora de "Conceição - Autor Bom é Autor Morto", primeiro longa-metragem universitário brasileiro. Dirigi o documentário experimental A Obscena Senhora Silêncio, lançado em 2010  no Festival "Curta Cinema"; foi um dos frutos da monografia "O Verbo, o Ganido e o Delírio", sobre a obra da escritora Hilda Hilst - na época, elogiada pela própria, um presente. No início dos 00s fiz parte do grupo "As 4 Marias",  concebido e criado por Thais Pavão, que realizava rituais que incluíam performances, música, textos, instalações, pintura, fotografia e body art.

Em 2009 comecei a experimentar mais nas interseções entre artes visuais e sonoras.  Neste ano, participei: da oficina de projetos de arte pública com Antoní Muntadas e Ricardo Basbaum na UERJ; do primeiro workshop de arte sonora com Franz Manata e Saulo Laudares; e da oficina "O Som ao Ar Livre" com Marssares, dentro do "Entreouvidos no Parque", realizado por Lilian Zaremba na EAV. 

Em 2010 ingressei no Mestrado em Artes da UERJ, linha de pesquisa Processos Artísticos Contemporâneos, sob orientação da artista e pesquisadora Dra. Leila Danziger. Também faço parte do grupo de pesquisa Arquivar - Tecnologias da Arte, coordenado pelo Prof. Dr. Luiz Cláudio da Costa. Comecei a frequentar as aulas de sonologia do Prof. Dr. Rodolfo Caesar, do programa de pós-graduação da Escola de Música da UFRJ. Participei de cursos e oficinas na EAV do Parque Lage, com Malu Fatorelli, Giodana Hollanda, Franz Manata e Thereza Miranda.

Em abril de 2012 concluí o Mestrado em Artes na UERJ, com a dissertação Ouvir na pele o terceiro som. Participei da oficina Fantasy Interventions, com Ant Hampton, no projeto Entre Lugares Rio-Londres. Comecei a ministrar a Oficina dos Sentidos. Em 2013 realizei minha primeira mostra individual, Danças Atlânticas; iniciei o Doutorado em Artes na UERJ; e comecei com a prática da oficina De Ouvidos Bem Abertos (SESI, 2013; e Projeto Em Torno da Fábrica, em 2014), entre outros. 

Conclui o Doutorado em 2017. Minha investigação em artes está focada em questões do som e da escuta, intervenções e possibilidades poéticas e políticas de reinvenção do espaço, de sensações e sentidos, trânsitos, impedimentos, resistências. Alguns trabalhos estão em longo processo, como Atlântica e Cartas de Terras Insondávies, que norteiam a pesquisa; outros já foram realizados e vêm encontrando desdobramentos. Realizo experiências com variadas formas de produção de imagens, sons, uso da voz e da palavra, com uma abordagem ampliada das tecnologias, centrada em movimentos do corpo e da imaginação, buscando as histórias escondidas e recalcadas que assombram cada lugar. Atualmente resido entre a serra ao sul do Rio de Janeiro, perto da fronteira com Minas, onde produzo música e arte sonora em meu homestudio; e a capital do Rio, transitando também por SP.