Atlântica Abertura - É no Desvio que se Encontra Caminhos

Atlântica é uma longa série que se desdobra sempre, tendo como ponto de partida um processo de derivas sonoras e contaminação dos sentidos. Surgiu da articulação conceitual, da memória e da fabulação de experiências plurisensoriais das três Atlânticas: avenida, mata, oceano. Em um primeiro momento (ou movimento, como em música), chamado de “Abertura - É no Desvio que se Encontra Caminhos”, quatro trabalhos se juntaram:

 

Mapa Irônico-Onírico I (2010)

Produzido a partir de múltiplas colagens e camadas digitais, usando mapeamentos por satélite, fotografias feitas durante as derivas atlânticas do processo e samples de imagens de domínio público. O mapa pode ser apresentado em formatos e dimensões variáveis; na exposição Cotidiano e Mobilidade na EAV o formato adotado foi: impressão jato de tinta em papel Hahnemühle - 59,4 cm x 84,1cm.

Pequeno Atlas Imaginário das Três Atlânticas (2009 – 2011)

Livro de artista realizado a partir de intervenções diversas em um Atlas escolar usado na infância, em 1983. Além dos desenhos, fotografias, escritas e colagens visuais, o Atlas é também feito de composições e colagens sonoras, em que o mítico e o cotidiano se misturam. O livro fica sobre uma estante de partitura, junto a fones de ouvido. Duração do áudio: 13’.

 

Da Cidade e do Tempo I (2011)

Coletas do imaginário de diferentes tempos.
Vitrine de acrílico de 34cm x 22cm x 18cm contendo diversos vidrinhos e pequenos objetos; lista datilografada em papel almaço velho.

Da esquerda para a direita, de trás para a frente:


1- Fumaça do rush de sexta
2- Areia molhada da manhã de hoje
3- Som dos últimos fogos do dia primeiro
4- Ar de melancolia da tarde nublada
5- Vento de tambor no carnaval
6- Eflúvios de asfalto quente em janeiro
7- Maresia em madrugada de verão
8- Perfume de meninas da noite passando
9- Mar noturno em ressaca
10- Água do mar depois de muito sol
11- Cristal de dedo na água
12- Tampa para um esquecimento
13- OVO de Sereia Pequena
14- O Último suspiro de um peixe
15- OCEANO em pedra

Primeiro Ritual Atlântico (2011)

Performance com sons de água, conchas, areia, taças, fogos e pele. Velas e rosas brancas como oferendas a uma Iemanjá que teve seus ritos distanciados das noites de Ano Novo da Avenida Atlântica.

 

O trabalho foi apresentado pela primeira vez na exposição Cotidiano e Mobilidade, no Parque Lage.

 

Fotos e textos: Leandra Lambert.